Código do Simpósio Temático: 034

As sociedades que se formaram sob a égide da expansão europeia, a partir do século XV, experimentaram a obrigatória convivência e incorporação de contingentes oriundos dos diversos territórios que passaram a integrar constante e crescentemente um “sistema mundo”, como nomeou Immanuel Wallerstein. Durante séculos, sob alegação de evangelizar ou de civilizar, a supremacia dos povos europeus/ocidentais se impôs sobre numerosas populações, que, resistindo, aceitando ou refutando tais imposições, foram desalojadas de seus territórios então habitados, de suas referências até então reconhecidas e incorporadas a outros arranjos inesperados e insuspeitados. A diferença e desigualdade entre esses diversos contingentes, naturalizada na situação da convergência que se expressa na mundialização, foram entendidas como critérios de negatividade e positividade, superioridade e inferioridade entre brancos, negros, índios, mulatos, mestiços, cafuzos e tantas outras denominações inventadas para registrar e classificar a incontrolável dinâmica da vida.
Genericamente formaram-se sociedades misturadas, mestiças/plurirraciais. A persistência dessas valorações entre qualidades positivas e negativas, superiores e inferiores nas sociedades assim redimensionadas e forjadas a partir de contingentes que se reconheciam diversos e distintos entre si, em posições sociais e, portanto econômicas, culturais e políticas desiguais e até antagônicas, configuraram-se em histórias e narrativas que avançaram e avançam até o século XXI, sob a égide de desigualdades e disputas em que a referência étnica/ racial representa um eixo central. Estabeleceram-se profundos e duradouros demarcadores para as configurações de hierarquias sociais e pressupostos para o exercício de poder, não apenas simbólico, mas sempre violento. Nosso objetivo nesse simpósio é reunir, mapear e estimular estudos que tratem da dinâmica histórica dessas sociedades ao longo de suas trajetórias, em circunstâncias e contextos específicos, tratando das variáveis formas e soluções de relações vivenciadas entre esses contingentes de brancos, negros, índios, mulatos, mestiços, cafuzos e outros tantos.
Estão incluídas expressões de encaminhamentos e lutas de reconhecimento, limites, exercícios e políticas de direitos, afirmação e similares. Igualmente importante é o registro das construções de narrativas e instrumentos de referência de identidades político - culturais de “minorias”, assim como de recortes regionais/nacionais, que incluam ou excluam, em recortes mais ou menos ampliados, através de propostas e desenhos de modelos de sociedades, a acomodação dessa diversidade conflituosa de representações e interesses.

Coordenadores

  • Profa. Dra. Eliane Garcindo de Sá (UERJ)
  • Prof. Dr. Hilton Meliande de Oliveira (Cap-UERJ)
  • Doutorando Thiago Bastos de Souza (UERJ)