Código do Simpósio Temático: 008

Nenhuma ciência do século XVI, até os dias atuais, se desenvolveu sem uma reflexão teórico-metodológica “sobre sua própria natureza, objeto, procedimentos e fins.” [1] Com a História não poderia ser diferente. Esta reflexão repousa sobre certo consenso na Academia, onde se afirma que ela, enquanto disciplina, passa por transformações em seu estatuto. Não é raro ouvir que estamos inseridos em uma determinada crise da história. A noção de crise tornou-se uma “espécie de frequentadora habitual das análises da historiografia que tentam apresentar o estado atual da disciplina.”[2] Perante essa situação, se fazem necessárias algumas indagações. Não seria uma das características principais da história a sua própria historicidade, ou seja, a mudança de seus posicionamentos ante as transformações pelo tempo? A mudança não seria o elemento constitutivo da própria história? Crise da história ou uma anarquia epistemológica, onde podemos perceber afrouxamento das grandes narrativas? Será que nossa disciplina encontra-se em crise justamente por se desfiliar dos grandes cânones em que os antigos tinham por alicerce? Será que não estamos em uma nova época de novas possibilidades, novas perspectivas e novas abordagens ao estudo da história? Tais indagações, entre outras, são motivos de reflexão neste simpósio temático da Semana de História Política da UERJ.

Tal simpósio tem por objetivo refletir sobre as práticas historiográficas na contemporaneidade. Não se esquecendo de estabelecer um diálogo, ou pelo menos, um estudo reflexivo e crítico das práticas historiográficas de outrora, entendidas como circunscritas a um determinado regime de historicidade.

Coordenadores

  • Profa. Dra. Lucia Maria Paschoal Guimarães (UERJ)