Código do Simpósio Temático: 023

Este simpósio visa promover um debate acerca das relações entre história, memória e patrimônio cultural. Parte da inquietação acerca de um fenômeno recente: a proliferação de estudos históricos sobre memória e o renovado interesse pela história. Uma expressão desse sintoma é a profusão de obras sobre as relações entre história e memória, as comemorações e rememorações, a patrimonialização e monumentalização do patrimônio cultural. Especial distinção deve ser concedida a esta última operação. Por patrimônio cultural, compreende-se um conjunto de bens materiais – a saber, prédios, conjuntos urbanos, paisagens e sítios arqueológicos, entre outros – e imateriais – classificados como saberes, modos de fazer, formas de expressão e celebrações – considerados relevantes para a constituição dos valores de um grupo social. Esses valores embasam os códigos com os quais se aprende a viver e se relacionar no mundo que nos cerca. Esses elementos só irão ganhar a condição de patrimônio se forem construídos sentidos contemporâneos para eles, ao serem incorporados como elementos importantes para a coletividade. Especial atenção, portanto, deve ser dada às lutas e tensões decorrentes das operações de (re)significação dos bens culturais, assim como dos processos de monumentalização dos mesmos.

Em tempos de pós-modernidade, do presentismo e da sobre valorização da tecnologia, qual é o lugar da história e da memória na constituição de identidades? E por que assistimos uma onda de patrimonialização de bens materiais e imateriais quando há um certo descrédito com o passado? O objetivo deste simpósio é analisar as relações entre a história, a memória e o patrimônio na constituição de identidades na contemporaneidade. Nessa perspectiva, é necessário problematizar a articulação, as interpelações e os limites ente esses três campos de estudo. História e memória vem sendo chamadas a desempenhar papel relevante na construção de representações coletivas e forjam os signos constitutivos do patrimônio, material e imaterial. Estas relações estão em constante mutação de acordo com interesses e perspectivas variadas. Orientam políticas públicas e constituem prática e valores individuais/coletivos. Os processos constitutivos de identidades atribuem à escola um papel de destaque e, por isso, se faz necessário refletir sobre a educação patrimonial.

Coordenadores

  • Profa. Doutoranda Renata Regina Gouvêa Barbatho (UERJ/Fundação Casa de Rui Barbosa)