Código do Simpósio Temático: 039

"A presente proposta tem por objetivo pôr em diálogo trabalhos que se dediquem a pensar as relações entre a ditadura civil-militar instituída no Brasil, a partir de 1964, e as produções culturais, processos e formas de censura em suas imbricações com a construção de modelos desejados de moralidade, gênero e comportamento como estratégias de legitimidade política.

A ideia é também perceber recusas e adesões ao regime por parte de diferentes grupos sociais naquele período, a partir da análise do que é interditado e também do que é liberado e incentivado, a partir do debate sobre a censura em diferentes fontes, sejam elas jornalísticas, jurídicas, criminais, artísticas, entre outras.

A proposta aqui apresentada não compreende a existência dicotômica de um nicho para a censura “política” e uma censura de caráter mais “moral”. Trabalha-se com o entendimento de que os processos de censura, articulados e desencadeados no período situado entre os anos de 1964 e 1985, são políticos em todas as suas formas, uma vez que se entende que questões relacionadas à moral, gênero e comportamento eram aspectos fundantes da estratégia de construção de uma legitimidade para o regime, estando presente em projetos como a Doutrina de Segurança Nacional, em seus aspectos psicossociais e na busca e fortalecimento de valores em consonância com o que se pressupunha ser partilhado pelo conjunto da sociedade brasileira.

Os meios de comunicação e as produções culturais veiculadas por eles passam a ser objetos de preocupação de militares e civis nesse período que coincide com a expansão e ampliação do consumo naquilo que se convencionou compreender como “comunicação de massa”. Nesse sentido, a curiosidade, o medo e o fascínio irão compor discursos e ações públicas dos agentes da censura (censores, dirigentes, políticos, jornalistas e também o público) em relação a esses meios e suas produções, vetando ou recomendando o veto a imagens, palavras, situações, instituindo públicos considerados “vulneráveis” como jovens, mulheres e crianças.

Entende-se que as produções culturais e suas formas de veiculação não são tampouco preocupações unicamente do regime, sendo abordadas por acadêmicos, religiosos, educadores, mas, de toda forma, interessa-nos perceber as especificidades dessas inquietações na construção de um cotidiano marcado por tentativas de controle, burocratização e uma ainda que conservadora, modernização.

Coordenadores

  • Profª. Drª. Ana Rita Fonteles Duarte (UFCE)
  • Profª. Drª. Meize Regina de Lucena Lucas (UFCE)
  • Prof. Dr. Pereira da Silva (UFCE)