Código do Simpósio Temático: 033

No século XVIII, o jornalismo periódico na Europa já era tido como um poderoso instrumento de mudança e formação de ideias, sendo parte atuante de um projeto iluminista para transformar as mentalidades “arcaicas” em “ilustradas”, assumindo, explicitamente, as funções de agente de cultura, de mobilizador de opiniões e propagador de ideias. Segundo Pallares-Burke, tal função também seria assumida pela imprensa no Brasil e na América Latina durante o século XIX, após o processo de emancipação política (PALLARES-BURKE, 1998). No Brasil, a suspensão da censura prévia à imprensa ocorreu em 1821, através de um decreto assinado pelo monarca D. João VI, dando início a um período de liberdade de imprensa no país, a partir do qual pôde-se verificar “a passagem de um espaço público marcado pelas formas de comunicação típicas dos Antigos Regimes”, “para um espaço público onde se consolidavam debates através da imprensa (MOREL, 2005). Após este marco, a imprensa passaria a ocupar, progressivamente, a função legitimadora de posições políticas, incentivando o contínuo surgimento de novos veículos de comunicação impressa no Império do Brasil (BARBOSA, 2010).
O incremento do comércio atlântico, decorrente da navegação à vapor, dinamizara ainda mais a circulação de impressos no Brasil na segunda metade do século XIX, intensificando o comércio de impressos, sendo o porto do Rio de Janeiro, então capital do Império, a principal porta de entrada de livros e periódicos das mais diversas origens (FERREIRA, 199). A partir desse contexto, pretendemos nesse simpósio, reunir produções científicas que visem discutir a circulação de impressos no Brasil, assim como os seus usos políticos ao longo século XIX.

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