Código do Simpósio Temático: 001

A ampliação da capacidade de organização e mobilização dos movimentos sociais, advindos da crescente urbanização e industrialização que ganharam impulso nas décadas de 1930 e 1940 na América Latina, colocou na ordem do dia a discussão sobre o tipo de democracia existente neste continente. Se por um lado observa-se uma crescente pressão social por mudanças e abertura de espaços para os de baixo, de outro se desenvolveram novos mecanismos de controle social em países cada vez mais caracterizados por se inserirem dentro da classificação de sociedades de massa. Nesse sentido, ainda que as possibilidades de participação tenham se ampliado lentamente, o debate político extrapolou os antigos limites com uma velocidade infinitamente maior. O término da 2ª Guerra Mundial potencializou ainda mais essa discussão ao ser o conflito justificado pela retórica da defesa da democracia e da liberdade. Proliferaram então, nos anos 1950 e 1960, diferentes projetos de sociedade que defendiam ora o aperfeiçoamento do sistema democrático, ora a sua superação ou eliminação. Ditadura e Revolução aparecem como ideias-força a mobilizar segmentos cada vez mais expressivos de diversos espectros políticos, o que levou simultaneamente tanto ao desenvolvimento de experiências de luta armada, quanto à afirmação de ditaduras que maximizaram os mecanismos de exclusão social e de restrição da participação política, levando-os à níveis nunca vistos na América Latina.

A proposta deste simpósio é reunir trabalhos que versem sobre esse processo e sobre as diferentes culturas políticas que o caracterizaram, bem como abordem o suposto consenso em torno da ideia de democracia presente na América Latina após o ocaso das ditaduras civil-militares em fins do século XX e princípios do XXI.

Coordenadores

  • Prof. Dr. Mario Angelo Miranda (PUC-Rio)